sexta-feira, 13 de março de 2009
quinta-feira, 12 de março de 2009
quarta-feira, 11 de março de 2009
Essa semana:ensaios,
organizar o figurino,
encontrar uma caixa segura para a bomba,
confirmar horário com o caminhão: nosso cenário,
as passagens,
o hotel,
as coisas todas - texto, objetos, trecos, quarto, gente, malas e viagem.
Ensaiar, organizar
ir, sair, chegar.
Conhecer o teatro.
Ocupar o teatro.
Encontrar o público.
1, 2 e 3.
E só aí voltar.
Árido
Lenta memória.
Penso lembrar:
um par de histórias;
algum lugar;
algum luar
secando a rua;
um mar de luas
molhando o beco.
Mais? Que eu me lembre...
uns poucos ecos.
E chuva sempre.
E eu sempre seco.
Do livro O dia múltiplo, de Jorge Emil, editora Bom Texto, RJ, 2000
http://jorgemil.blogspot.com/
Penso lembrar:
um par de histórias;
algum lugar;
algum luar
secando a rua;
um mar de luas
molhando o beco.
Mais? Que eu me lembre...
uns poucos ecos.
E chuva sempre.
E eu sempre seco.
Do livro O dia múltiplo, de Jorge Emil, editora Bom Texto, RJ, 2000
http://jorgemil.blogspot.com/
sábado, 7 de março de 2009
quinta-feira, 5 de março de 2009

As agulhas do palheiro
Com um dia a mais, Fringe apresenta coletivos curitibanos e sucessos de outros estados.
Com um dia a mais, Fringe apresenta coletivos curitibanos e sucessos de outros estados.
Veja destaques
Publicado em 18/02/2009 Luciana Romagnolli
O Fringe, mostra paralela do Festival de Curitiba, cresceu. E a boa notícia é que não foi em quantidade, mas em duração. As 290 peças confirmadas até o momento se espalharão por 12 dias de evento – um a mais em relação à seleção oficial–, de 18 a 29 de março.
Outra boa nova para as companhias que se aventuram nesse palheiro é que a organização do festival se preocupou em aperfeiçoar as ferramentas de divulgação, para que o público não fique tão perdido diante do volume de opções, e os artistas não sejam
Outra boa nova para as companhias que se aventuram nesse palheiro é que a organização do festival se preocupou em aperfeiçoar as ferramentas de divulgação, para que o público não fique tão perdido diante do volume de opções, e os artistas não sejam
esquecidos em teatros entregues às moscas.
A “bússola” será o novo site (ainda em construção), que concederá aos espectadores a oportunidade de registrar suas opiniões sobre as peças que viram, engrossando o boca-a-boa que move a mostra paralela. As companhias também terão mais chances de “se venderem”, com a possibilidade de atualizar suas informações a qualquer momento e – o mais impactante na era do Youtube – incluir vídeos das montagens.
Enquanto tudo isso não começa a funcionar, as dificuldades para rastrear o que vale a pena ser visto no Fringe continuam. Alguns espetáculos, como Fala Comigo Como a Chuva, chegam com referências positivas. Os mineiros da Companhia Teatro Adulto conquistaram o Prêmio Myriam Muniz, da Funarte, e elogios do crítico Miguel da Anunciação, de Belo Horizonte, com essa peça do norte-dramaturgo americano Tennessee Williams. E A Coleira de Bóris traz na bagagem indicações ao Prêmio Shell de melhor texto (Sérgio Roveri) e direção (Marco Antônio Rodrigues).
As recifenses Que Muito Amou, com a Cênicas Cia. de Repertório, e Fio Invisível da Minha Cabeça, da Cia. do Ator Nu, ambas adaptadas de obras de Caio Fernando Abreu, estão cotadas para participar do Porto Alegre Em Cena 2009 (evento com curadoria). Já a sergipana O Santo e a Porca, do Grupo Oxente de Teatro, vem de uma trajetória de sucesso iniciada em Aracaju.
Outra artimanha válida é concentrar as atenções nas companhias que se agrupam. No terceiro ano da mostra Novos Repertórios, cinco grupos curitibanos se revezarão sobre o palco do Teuni. Acruel Companhia de Teatro, dirigida por Nina Rosa e Márcio Mattana, retoma sua primeira montagem, estreada em dezembro passado: As Ruas de Bagdá ou Aranha Marrom Não Usa Roberto Carlos, uma teia de ideias sobre a multiplicidade de olhares própria dos tempos atuais. Nina Rosa, integrante da Cia. Provisória, também dirige Na Verdade Não Era um Sinal de Vá Tomar no Cu, texto narrativo, de tons surreais, escrito por Luiz Felipe Leprevost.
O grupo Heliogábulus entra no universo do teatro fantástico, resvalando na tríade transgressora metamorfose-sexo-escárnio, com Le Magnifique Nouvelle de La Passion, e a Companhia Silenciosa é responsável pela intervenção Los Juegos Provechosos, na Praça Santos Andrade.
A quinta montagem a figurar entre os novos repertórios é Jornal da Guerra contra os Taedos, peça que A Armadilha Cia. de Teatro estreia hoje (18), às 21 horas, no Teatro Novelas Curitibanas (Rua Carlos Cavalcanti, 1.222).
O exemplo foi seguido. Mais quatro companhias da nova geração uniram forças no Coletivo de Pequenos Conteúdos, cujo palco será o TUC. “A nossa ideia foi que também a gente pudesse ter um espaço de encontro para experimentar e discutir propostas estéticas em comum. São peças de curta duração, de grupos que já fazem um trabalho continuado de pesquisa”, diz Thiago Inácio, integrante da Cia. Transitória, que apresenta Óquei!, espetáculo derivado de intervenções urbanas.
Nina Rosa é o ponto em comum entre os coletivos. Neste, ela aparece dirigindo O Beijo, texto contemporâneo do dramaturgo americano Mark Harvey Levine (autor de Aperitivos). Formigas Glitter, um drama nonsense, do Núcleo de Espetacularidades N.A.R.K.O.S.E.; e Self Service: Psicodrops, obra da Cia. Subjéteis sobre a sociedade do espetáculo, completam a programação.
A Casa Vermelha abriga atrações escolhidas pelo grupo Os Satyros, que refletem, guardadas as proporções, a programação típica da Praça Roosevelt, em São Paulo. A começar por Uma Pilha de Pratos na Cozinha, pela qual o dramaturgo e diretor Mário Bortolotto arrecadou elogios da crítica paulista. E o ator Luis Salem encena a comédia Über, de sua autoria.
Chamam a atenção pelo elenco As Ondas, colagem de seis monólogos com os atores Chistine de Macedo, Chiris Gomes, Raniere González, Rodrigo Ferrarini e Simone Spoladore; a comédia De Graça, Mas Tem Que Pagar, de Katiuscia Canoro ( a Lady Kate, de Zorra Total) e Fabiula Nascimento (do filme Estômago); e o drama de Plínio Marcos Dois Perdidos numa Noite Suja, com André Gonçalves.
Serviço:
Mostra Contemporânea, de 19 a 29 de março.
A “bússola” será o novo site (ainda em construção), que concederá aos espectadores a oportunidade de registrar suas opiniões sobre as peças que viram, engrossando o boca-a-boa que move a mostra paralela. As companhias também terão mais chances de “se venderem”, com a possibilidade de atualizar suas informações a qualquer momento e – o mais impactante na era do Youtube – incluir vídeos das montagens.
Enquanto tudo isso não começa a funcionar, as dificuldades para rastrear o que vale a pena ser visto no Fringe continuam. Alguns espetáculos, como Fala Comigo Como a Chuva, chegam com referências positivas. Os mineiros da Companhia Teatro Adulto conquistaram o Prêmio Myriam Muniz, da Funarte, e elogios do crítico Miguel da Anunciação, de Belo Horizonte, com essa peça do norte-dramaturgo americano Tennessee Williams. E A Coleira de Bóris traz na bagagem indicações ao Prêmio Shell de melhor texto (Sérgio Roveri) e direção (Marco Antônio Rodrigues).
As recifenses Que Muito Amou, com a Cênicas Cia. de Repertório, e Fio Invisível da Minha Cabeça, da Cia. do Ator Nu, ambas adaptadas de obras de Caio Fernando Abreu, estão cotadas para participar do Porto Alegre Em Cena 2009 (evento com curadoria). Já a sergipana O Santo e a Porca, do Grupo Oxente de Teatro, vem de uma trajetória de sucesso iniciada em Aracaju.
Outra artimanha válida é concentrar as atenções nas companhias que se agrupam. No terceiro ano da mostra Novos Repertórios, cinco grupos curitibanos se revezarão sobre o palco do Teuni. Acruel Companhia de Teatro, dirigida por Nina Rosa e Márcio Mattana, retoma sua primeira montagem, estreada em dezembro passado: As Ruas de Bagdá ou Aranha Marrom Não Usa Roberto Carlos, uma teia de ideias sobre a multiplicidade de olhares própria dos tempos atuais. Nina Rosa, integrante da Cia. Provisória, também dirige Na Verdade Não Era um Sinal de Vá Tomar no Cu, texto narrativo, de tons surreais, escrito por Luiz Felipe Leprevost.
O grupo Heliogábulus entra no universo do teatro fantástico, resvalando na tríade transgressora metamorfose-sexo-escárnio, com Le Magnifique Nouvelle de La Passion, e a Companhia Silenciosa é responsável pela intervenção Los Juegos Provechosos, na Praça Santos Andrade.
A quinta montagem a figurar entre os novos repertórios é Jornal da Guerra contra os Taedos, peça que A Armadilha Cia. de Teatro estreia hoje (18), às 21 horas, no Teatro Novelas Curitibanas (Rua Carlos Cavalcanti, 1.222).
O exemplo foi seguido. Mais quatro companhias da nova geração uniram forças no Coletivo de Pequenos Conteúdos, cujo palco será o TUC. “A nossa ideia foi que também a gente pudesse ter um espaço de encontro para experimentar e discutir propostas estéticas em comum. São peças de curta duração, de grupos que já fazem um trabalho continuado de pesquisa”, diz Thiago Inácio, integrante da Cia. Transitória, que apresenta Óquei!, espetáculo derivado de intervenções urbanas.
Nina Rosa é o ponto em comum entre os coletivos. Neste, ela aparece dirigindo O Beijo, texto contemporâneo do dramaturgo americano Mark Harvey Levine (autor de Aperitivos). Formigas Glitter, um drama nonsense, do Núcleo de Espetacularidades N.A.R.K.O.S.E.; e Self Service: Psicodrops, obra da Cia. Subjéteis sobre a sociedade do espetáculo, completam a programação.
A Casa Vermelha abriga atrações escolhidas pelo grupo Os Satyros, que refletem, guardadas as proporções, a programação típica da Praça Roosevelt, em São Paulo. A começar por Uma Pilha de Pratos na Cozinha, pela qual o dramaturgo e diretor Mário Bortolotto arrecadou elogios da crítica paulista. E o ator Luis Salem encena a comédia Über, de sua autoria.
Chamam a atenção pelo elenco As Ondas, colagem de seis monólogos com os atores Chistine de Macedo, Chiris Gomes, Raniere González, Rodrigo Ferrarini e Simone Spoladore; a comédia De Graça, Mas Tem Que Pagar, de Katiuscia Canoro ( a Lady Kate, de Zorra Total) e Fabiula Nascimento (do filme Estômago); e o drama de Plínio Marcos Dois Perdidos numa Noite Suja, com André Gonçalves.
Serviço:
Mostra Contemporânea, de 19 a 29 de março.
Fringe, de 18 a 29 de março.
Bilheteria Central – Shopping Mueller (R. Candido de Abreu, 219). Segunda a sábado, das 10 às 22 horas. Pagamento em dinheiro ou cartões Mastercard (crédito) e Redeshop (débito).
Por telefone: Ingressos a venda pelo call-center 4003-1212, de segunda a sábado, das 9 às 22 horas, e domingos e feriados, das 11 às 19 horas.
Pela internet: www.ingressorapido.com.br.
Informações: (41) 3378-4825.Preços: Mostra Contemporânea: R$ 40 a R$ 20. Fringe: R$ 50 a entrada franca. Risorama: R$ 40. Mish Mash: R$ 40. Festas: R$ 40. Descontos não-cumulativos para estudantes, maiores de 60 anos, associados ao Sated, clientes Itaú e clientes Unibanco.
Bilheteria Central – Shopping Mueller (R. Candido de Abreu, 219). Segunda a sábado, das 10 às 22 horas. Pagamento em dinheiro ou cartões Mastercard (crédito) e Redeshop (débito).
Por telefone: Ingressos a venda pelo call-center 4003-1212, de segunda a sábado, das 9 às 22 horas, e domingos e feriados, das 11 às 19 horas.
Pela internet: www.ingressorapido.com.br.
Informações: (41) 3378-4825.Preços: Mostra Contemporânea: R$ 40 a R$ 20. Fringe: R$ 50 a entrada franca. Risorama: R$ 40. Mish Mash: R$ 40. Festas: R$ 40. Descontos não-cumulativos para estudantes, maiores de 60 anos, associados ao Sated, clientes Itaú e clientes Unibanco.
domingo, 1 de março de 2009
MEDO DA ETERNIDADE
...
Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:
- Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.
- Não acaba nunca, e pronto.
- Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.
- Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
- E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveira haver.
- Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.
- Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.
- Acabou-se o docinho. E agora?
- Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da idéia de eternidade ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.
Até que não suportei mais, e, atrevessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
- Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingidos espanto e tristeza. - Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
- Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso.
Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.
LISPECTOR, Clarice. Medo da eternidade. In: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984. p. 446-8.
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